Los libros que la gente no tiene ganas de leer
Être éditeur consiste à publier des livres que les gens n’ont pas envie de lire. Isto dizia o recentemente falecido Christian Bourgois, um dos mais notáveis editores contemporâneos. É uma frase que de certeza deixará atónito um «gestor da indústria livreira», como os que agora avançam para o controlo das editoras portuguesas. Bourgois (editor de Borges, Junger, Burroughs, Gombrowicz, Perec, Pessoa, entre muitos outros) sabia que a edição era uma paixão, porque os grandes editores são desde logo leitores apaixonados. Se um editor apenas vai ao encontro dos gostos já existentes, e dos gostos fáceis e/ou maioritários, então é um comerciante de secos & molhados como qualquer outro. O editor edita para os leitores que existem mas também cria os seus leitores, através de afinidades, cumplicidades, descobertas, surpresas, apostas e ousadias.
Observación de Pedro Mexia, poeta, crítico literário y bloguero en portugués

